Como acompanhar a Selic e o CDI no dia a dia
Onde os números oficiais são publicados, como converter taxa diária em anual, o que muda entre meta e taxa efetiva e como usar isso para avaliar qualquer aplicação.
Selic e CDI são a régua de tudo o que rende no Brasil. Saber onde eles são publicados, com que frequência mudam e como converter as taxas evita erro em qualquer comparação de investimento.
1. Separe meta, taxa efetiva e CDI
A meta Selic é a decisão do Copom, anunciada oito vezes por ano em taxa anual. A Selic efetiva é a taxa média das operações diárias com títulos públicos, publicada em taxa ao dia. O CDI nasce dos empréstimos de um dia entre bancos e anda colado na Selic efetiva, poucos centésimos abaixo.
Cada um tem sua página com série histórica: meta Selic, Selic efetiva e CDI.
2. Converta taxa diária em anual pela convenção de 252
Taxas diárias no Brasil são convertidas por dias úteis: taxa anual = (1 + taxa diária)^252 − 1. Uma taxa de 0,0500% ao dia equivale a cerca de 13,4% ao ano.
Multiplicar por 252 em vez de elevar produz número menor e errado — a diferença cresce com o nível da taxa. As páginas de indicador já mostram o equivalente anual calculado dessa forma.
3. Acompanhe o calendário do Copom
São oito reuniões por ano, com decisão na quarta-feira à noite e ata na terça seguinte. O comunicado explica a decisão em poucos parágrafos; a ata detalha o diagnóstico e sinaliza o próximo passo.
Entre as reuniões, o Relatório Focus — publicado toda segunda-feira pelo Banco Central — mostra o que o mercado espera para inflação, juros, câmbio e PIB.
4. Traduza a taxa para o seu investimento
Um CDB de 110% do CDI entrega 110% da taxa diária acumulada, antes do Imposto de Renda. Um fundo DI com taxa de administração de 0,5% ao ano entrega o CDI menos essa taxa. A poupança segue regra própria: 0,5% ao mês mais TR enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano.
O simulador de renda fixa faz essa conta com o CDI e a Selic publicados hoje, já descontando o IR pela tabela regressiva.
5. Compare sempre o líquido e o real
Rendimento bruto não paga contas. Desconte o Imposto de Renda pela tabela regressiva — 22,5% até 180 dias, 20% até 360, 17,5% até 720 e 15% acima disso — e depois desconte a inflação para chegar ao ganho real.
Com IPCA e Selic na mesma tela, o juro real fica evidente: é ele que mede se o seu dinheiro está ganhando poder de compra ou apenas correndo atrás dos preços.
Por que o CDI fica abaixo da Selic
As duas taxas remuneram operações de um dia, mas com lastros diferentes: a Selic tem títulos públicos federais como garantia; o CDI, o crédito entre bancos. Historicamente o CDI fica alguns centésimos de ponto abaixo da Selic efetiva, e essa distância se mantém estável ao longo do tempo.
Para o investidor, a consequência prática é pequena no dia, mas relevante no acumulado de anos — motivo pelo qual faz diferença um produto pagar 100% ou 98% do CDI.
Onde conferir na fonte
Todas as séries deste site vêm do Sistema Gerenciador de Séries Temporais do Banco Central, com o código de cada série informado na respectiva página. O CDI é calculado e divulgado pela B3, e republicado pelo Banco Central na série de número 12.
Como a Selic chega ao seu financiamento
A taxa básica é o piso do custo do dinheiro, não o preço final. Entre a Selic e a taxa que você paga em um empréstimo entram o custo de captação do banco, o risco de crédito, os tributos, as despesas administrativas e a margem — o conjunto que o Banco Central chama de spread bancário.
Por isso o rotativo do cartão cobra taxas que não guardam relação direta com a Selic: o que domina ali é o risco de inadimplência. Já o crédito consignado e o financiamento imobiliário, com garantia forte, acompanham a taxa básica mais de perto. Ao comparar propostas, o número que importa é o Custo Efetivo Total, que reúne juros, tarifas, seguros e tributos.
O que a curva de juros futuros adiciona
Além da Selic de hoje, o mercado negocia na B3 contratos que indicam qual taxa se espera para daqui a um, dois ou cinco anos. Essa curva se move todos os dias e reage a dado de inflação, a decisão fiscal e ao exterior — normalmente antes de qualquer mudança na taxa básica.
Para o investidor pessoa física, a leitura prática é simples: quando a curva sobe, títulos prefixados e IPCA+ já comprados perdem valor de mercado; quando cai, ganham. Quem carrega o título até o vencimento recebe o combinado e pode ignorar o movimento — mas quem pode precisar vender antes, não.
Perguntas frequentes
Com que frequência a Selic muda?
A meta muda apenas em reunião do Copom, oito vezes por ano. A taxa efetiva oscila diariamente em torno da meta, com diferença que raramente passa de 0,10 ponto percentual.
CDI e Selic são a mesma coisa?
Não, mas andam praticamente juntos. A Selic é lastreada em títulos públicos; o CDI, em empréstimos entre bancos. A diferença histórica é de poucos centésimos de ponto.
Por que meu CDB rendeu menos que o CDI do período?
Três causas comuns: o produto paga um percentual do CDI menor que 100%, o Imposto de Renda foi retido no resgate, ou o período incluiu poucos dias úteis. Rendimento pós-fixado acumula por dia útil, não por dia corrido.
A Selic pode mudar fora das reuniões do Copom?
Pode, em situação extraordinária, mas é raro. O normal é a meta mudar apenas nas oito reuniões anuais do comitê; entre elas, a taxa efetiva oscila em torno da meta por operação do próprio Banco Central no mercado.
O que é juro real?
É o que sobra da taxa nominal depois de descontada a inflação, pela fórmula composta. Com Selic de 14% e IPCA de 4,4% em doze meses, o juro real fica próximo de 9,2% ao ano — e é esse número que mede ganho de poder de compra.
Onde vejo a série completa?
Nas páginas de Selic e CDI, com gráfico, tabela das últimas divulgações e resumo estatístico. A série inteira também está na API pública.